7 erros mais comuns na análise de redes sociais
23 de Junho de 2008 @ 21:31 - Alessandro Barbosa LimaArquivado sob Para ler | Link desta publicação | Enviar por e-mail
A monitoração e análise das mídias sociais – por ser uma ciência recente – é controversa e gera muitas dúvidas tanto para quem faz como para quem contrata. Neste post nosso objetivo é discutir e demonstrar alguns dos erros mais comuns na análise da mídia sociais que temos encontrado no mercado. São eles:
ERRO 1: Análise de sentimento de comunidades pelo nome da comunidade: a análise de sentimento de uma comunidade do Orkut, por exemplo, não pode ser realizada pelo título da comunidade. Observem comunidades como: Eu amo o Citroen C3!. Apesar do título ter sentimento positivo, os posts com maior REPERCUSSÃO (número de respostas relacionadas ao post) são neste caso negativos. Ou seja, há um número considerável de participações de consumidores relatando problemas, o que por si só impede considerarmos a comunidade como positiva apenas pelo nome da mesma. Portanto os 3,464 participantes desta comunidade não obrigatoriamente se cadastraram aí porque realmente gostam do carro, dada a participação e o envolvimento de parte deles em um grande número de discussões de caráter negativo.
ERRO 2: As discussões sobre uma marca/produto ocorrem sempre em comunidades de mesmo nome da marca/produto: aqui na E.LIFE já aprendemos que nem sempre as discussões mais fervorosas de consumidores sobre uma marca ocorrem em comunidades do mesmo nome do produto. Às vezes as discussões têm lugar em clusters ou comunidades específicas consumidores. Exemplo: um dos nossos clientes – uma empresa de alimentos – descobriu que uma parcela de consumidores vegetarianos estava discutindo em comunidades para este público sobre características do produto que eles não aprovavam. Estas discussões não ocorreram nas comunidades do produto. Ou seja, nada garante que as discussões em comunidades do mesmo nome de um produto ou serviço sejam as únicas.
ERRO 3: Pensar na análise das mídias sociais como um clipping: há empresas que associam a monitoração e análise das mídias sociais como uma extensão do seu clipping de imprensa. As redes sociais são mais do que uma coleção de posts. É preciso analisar os incoming links, o blogroll de cada blog, a repercussão de posts, o volume de postings x termos ao longo do tempo entre outras métricas.
ERRO 4:
Quem executa as estratégias também pode medir os resultados: As agências estão investindo como nunca em departamentos de mídias sociais. Estes departamentos criam e executam estratégias para estimular o buzz na web sobre marcas, produtos e serviços. Porém algumas destas mesmas agências se propõem a monitorar e analisar os resultados das ações. Há um conflito de interesses aqui: quem executa as ações não deve monitorar os resultados. Imagine se todos os institutos de pesquisa fossem além de conhecer a opinião pública realizar ações de marketing? Seria no mínimo polêmico. Os desafios da monitoração das mídias sociais já são bem grandes. E não acredite em propostas de Marketing ou Comunicação em 360 graus. O giro completo resulta em chegar ao mesmo lugar.
ERRO 5:
A monitoração do boca-a-boca é um desafio simples: A monitoração e análise da “social media” envolve diversas ciências: mineração de dados (datamining), comunicação, marketing, teoria das redes. Há diversas questões em aberto como motores de busca específicos para este fim, análise automática de sentimento dos postings/comentários, abordagens diferentes para diferentes línguas, enfim, é necessário desenvolver ou customizar aplicações de software e métricas específicas para enfrentar cada novo desafio. E além do mais é preciso alinhar o que se pode extrair deste ambiente com as necessidades dos clientes.
ERRO 6:
Será possível analisar dados sócio-demográficos com exatidão: uma observação detalhada das redes sociais permite observar que geralmente muitos consumidores não informam local de nascimento, idade ou sexo. Através da análise de clusters é possível identificar consumidores com o mesmo perfil sócio-demográfico, mas há uma margem de erro considerável neste tipo de análise.
ERRO 7:
Será possível analisar redes com métricas de audiência: comparar audiência com qualquer outro dado extraído das redes sociais é impreciso e pode gerar falsas interpretações. Por exemplo, comparar número de membros de uma comunidade com acessos a um web site é uma prática que pode gerar desinformação. Primeiro porque ao visitar um site, mesmo que seja por poucos segundos há pelo menos algum envolvimento com o mesmo, como clicar num link, ver uma foto, navegar em algumas páginas, por exemplo. A inscrição em uma comunidade, por exemplo, nem sempre gera uma participação do consumidor nesta mesma comunidade. Há participantes ativos, porém há aqueles que entram nesta comunidade porque se identificam com o nome, ou querem incluir aquela descrição aos seus dados psicográficos, como: “detesto acordar cedo” e coisas do gênero. Porém para muitos consumidores não há envolvimento com a comunidade. Ao me logar no Orkut realizo diversas atividades mas há comunidade das quais faço parte que não vejo por pelo menos 6 meses. Estas comunidades podem nem sequer aparecer na tela do meu login, pois só há espaço para 6 comunidades na primeira página do meu perfil, e participo de outras 42. Qual o stickness dos consumidores nestas comunidades? Pode ser próximo a zero. Então comparar Unique visitors com participantes de comunidades é como comparar banana com laranja. É um dado que nào diz nada.
Aguardamos as opiniões de vocês.
4 Comentários »
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Acredito que o maior erro em confundir a análise de redes sociais com clippings é que a opinião ali registrada na maioria das vezes é dada por um cliente ou potencial cliente, e não uma instituição, como acontece com a imprensa. A atenção e análise são totalmente diferentes nesses casos.
Comentário de Guilherme Rios — Segunda, 23 de Junho de 2008 #
Bom, a minha opinião sobre os erros são as seguintes:
Erro 1:
Concordo plenamente com o que foi digo, afinal, julgar um fator tão subjetivo como a opinião de uma pessoa sobre alguma coisa com certeza deve ir além de um simples título.
Erro 2:
Acredito que nesses casos vocês também devem ter muitos problemas com informações ruidosas como SPAM e tópicos sem relevância em fóruns (ex:”Pegaria a pessoa acima?”).
Erro 3:
Na recuperação de opinião é comum excluir certos blocos julgados sem importância, como o blogroll e trackbacks, as vezes são englobados no conceito de template do Blog, blocos esses que poderiam fornecer outras informações auxiliares às opiniões se tratadas de forma diferente.
Erro 4:
Acho que nesse quesito entra mais a tentativa de contenção de gastos para não terceirizar o serviço, por não compreender a complexidade do problema de análise de “Buzz”. Ou simplesmente, poderia ser um marketing sobre o marketing, “não contando totalmente a verdade nas estatísticas” por exemplo, acontece…..
Erro 5:
Quanto a máquinas de busca específicas para esse fim, acredito que já seja possível de construir com técnicas disponíveis hoje. já a análise de sentimento pode ser obtida com o classificador SVM, ou até usar lógica Fuzzy, e até mesmo uma combinação dessas ou outras técnicas, enfim, a questão é: é possível e acredito que dê bons resultados.
Erro 6:
Acredito que esse tipo de erro está com os dias contados, porque a Web está caminhando cada vez mais para algo personificado, isto é, tome o Google Friend Connect por exemplo, a partir do momento que a pessoa loga na sua conta Google e deixa comentários e ratings, a pessoa já deixou em algum lugar no seu rastro dentro do domínio Google informações preciosas que ajudam na formação de perfil. E com esse perfil muita coisa pode ser feita, principalmente recomendações de qualquer natureza.
Erro 7:
Na mídia social a audiência é apenas um dos fatores, assim como a análise de opiniões. Isso tudo faz parte de uma complexa rede que vai contribuir pra possível Web 3.0, como personificações de serviços e facilidade no uso destes, afinal, prega-se um Web onipresente, então todos deverão e necessitarão usar.
Comentário de Guilherme — Terça, 24 de Junho de 2008 #
Gostaria de parabenizá-los pelo post. Ótima abordagem sobre esta área que está emergindo tão rapidamente no Brasil.
Acredito que a análise do comportamento do consumidor nas redes sociais deva ser feita de forma estratégica e respeitando as variáveis de cada comunidade, de cada rede e de cada produto a ser trabalhado.
Tanto o brand monitoring quanto as ações de Social Media com objetivos de Marketing devem levar em consideração as formas de interação do usuário em cada rede em que está inserido.
Um exemplo básico disso são os usuários que possuem perfis no Orkut e no Twitter.- redes de perfis e focos totalmente diferenciados. As ações devem adequar-se ao meio, ao cliente e ao público a que se destina. Não é fácil, mas os profissionais brasileiros estão se mostrando dispostos a encarar o desafio.
Comentário de MissMoura — Terça, 24 de Junho de 2008 #
Esse ultimo post refere-se ao que chamo de “comunidade botton”, aquela em que o sujeito entra somente para mostrar que se identifica com tal produto/mensagem. É o caso da comunidade do refrigerante mais popular do mundo, ela é enorme, mas ninguém vai lá para discutir quantas bebeu no dia, se bebeu com ou sem gás, etc. Entram na comunidade somente para dizer que gostam (ou são evangelistas) de tal produto….
Comentário de Robert Rodrigues — Terça, 24 de Junho de 2008 #