O que esperar de 2007?

26 de Dezembro de 2006 @ 08:49 - Jairson Vitorino
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Não existe máquina para prever o futuro. Ainda mais no mundo dos negócios, onde não raro uma pessoa ou uma empresa vira de cabeça pra baixo todas as leis dos teóricos da administração e da economia. Portanto qualquer um que se arrisque nesse exercício está fadado a pagar um grande mico… mais cedo ou mais tarde. Dito isto, por pura teimosia, reúno aqui alguns palpites sobre o que pode vir a ser notícia na mídia especializada em Internet & Tecnologia no ano que vem.

Dos mesmos criadores do Skype, uma nova atração

O projeto Veneza (The Venice Project) começou a atrair a atenção da blogosfera americana em Julho desse ano e até da BusinessWeek, e agora perto do Natal o buzz parece ter aumentado. Trata-se de uma aplicação peer-to-peer (tipo Emule e os quase defuntos Kazaa e Napster) para distribuir conteúdo de TV e aproveitar a inteligência da massas para fazer emergir os melhores programas de uma audiência global. Difícil um raio cair no mesmo lugar duas vezes, mas os criadores do Skype agora bilionários merecem algum crédito. Vamos aguardar novos teasers.

Música Quântica

No Brasil o UOL já vende músicas on-line por R$ 2,48. O ITunes todo mundo já conhece. O Microsoft Zune é o novato na praça, mas já montou sua loja. As gravadoras se recuperam do baque sofrido desde a invenção das redes de trocas de música? Nem todo mundo acha isso. A Forrester Research divulgou uma pesquisa onde revela que em média um usuário de IPod compra apenas 20 canções por ano. Como se não bastasse artistas independentes em todo o mundo estão colocando seu trabalho na rede de graça, subvertendo o modelo praticado há décadas pelas gravadoras. É a longa cauda da música. Milhares de canções já estão disponíveis para download sem pagar um tostão. Em breve sites de recomendação e mineração de novas tendências musicais vão intermediar artistas e seus micro nichos. Gosta dos Beatles? Tente um genérico gratuito. E as novas bandas vão se financiar como sempre fizeram, tocando ao vivo para suas audiências que pagam ingresso para ouvi-las.

Um Wiki contra o Google

Yahoo, IBM, Microsoft e Amazon tem pelo menos um objetivo em comum: arranhar a supremacia do mais popular mecanismo de busca. Mais curioso é o fato de que no meio de todos estes golias, há também alguns davis armados com o que acham ser a arma secreta para derrotar o gigante. A imprensa na Alemanha e na Inglaterra traz matérias sobre o novo projeto do fundador da Wikipedia Jimmy Wales: o Wikiasari (Wiki do havaino “rápido” e Asari do japonês “buscar ativamente”). No melhor estilo “power to the people”, o projeto é mais uma tentativa de usar o poder das multidões para melhorar os resultados das buscas, que segundo Wales ainda deixam muito a desejar. Será que esse raio cai de novo no mesmo lugar?

Web semântica: Ainda não vai ser esse ano…

Na última página da vigésima primeira edição do “The World in 2007” do semanário inglês The Economist, Tim Berners-Lee, o inventor da Web, assina um artigo sobre a próxima evolução da rede: a web semântica. Um termo que tem pelo menos 7 anos de uso e de pesquisa. O desafio fundamental é encontrar uma maneira de máquinas poderem fazer uso mais inteligente do conhecimento googliano espalhado pela rede. Serem capazes por exemplo de lhe dizer qual o prato preferido de Luís XIV rei da França ou o endereço de um ringue de patinação no gelo em Ulm (eu levei 30 minutos para descobrir). O problema passa por criar um padrão onde pessoas comuns possam estruturar a informação que hoje elas escrevem em seus web sites em forma de texto. Ou talvez criar tecnologias que entendam estes textos e os estruturem de forma a serem lidos por programas de computadores. Soluções em ambas as direções não parecem estar próximas: de um lado, a produção de texto tem uma tradição de pelo menos 5000 anos no mundo ocidental, do outro a pesquisa para entender estes textos através de programas de computadores tem ainda muito o que avançar. Portanto não é ainda em 2007 que a web semântica virá… Infelizmente.

No Brasil, o começo da descentralização da mídia

São Paulo vai proibir outdoors. A banda larga avança no país. Adolescentes passam mais tempo no MSN do que assistindo à novela das 8. Computadores de 120 dólares para crianças nas escolas públicas. Sinais de uma mudança possivelmente mais lenta do que nos EUA e na Europa, mas não menos radical. O fim dos monopólios midiáticos está mais próximo do que nunca. Youtube é a nova TV. Orkut é o novo Namoro na TV. Em 2007 agências, editoras, jornais, televisões e todo o pessoal que trabalha na tentativa de conseguir atenção dos consumidores para seus produtos vai ter que sentar e entender muito bem o que está acontecendo. O movimento da mídia gerada pelo consumidor só começou a esquentar seus motores. Aguardem mais episódios cheios de surpresas para a próxima temporada.

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